quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Em...corgirado♥


Não precisámos de ir a Londres nem a Paris foi mesmo na nossa Lisboa. E eu sou ainda mais feliz na Lisboa que adoro com uma das minhas máquinas e com pessoas queridas do meu coração. ♥

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Em...cordepormenor



"A partir de um pormenor qualquer, por vezes insignificante, consegue-se descobrir sem querer os grandes princípios."

Georges Simenon

sábado, 19 de novembro de 2011

Em...corMonocromática

Tu tens um medo:Acabar.


Não vês que acabas todo o dia.


Que morres no amor.


Na tristeza.


Na dúvida.


No desejo.


Que te renovas todo o dia.


No amor.


Na tristeza.


Na dúvida.


No desejo.


Que és sempre outro.


Que és sempre o mesmo.


Que morrerás por idades imensas.


Até não teres medo de morrer.


E então serás eterno.



Cecília Meireles

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Em...cordeazul



Mas o que quer dizer este poema? - perguntou-me alarmada a boa senhora.E o que quer dizer uma nuvem? - respondi triunfante. Uma nuvem - disse ela - umas vezes quer dizer chuva, outras vezes bom tempo...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Em...cordevida






Podemos acreditar que tudo que a vida nos oferecerá no futuro é repetir o que fizemos ontem e hoje. Mas, se prestarmos atenção, vamos nos dar conta de que nenhum dia é igual a outro. Cada manhã traz uma benção escondida; uma benção que só serve para esse dia e que não se pode guardar nem desaproveitar.Se não usamos este milagre hoje, ele vai se perder.Este milagre está nos detalhes do cotidiano; é preciso viver cada minuto porque ali encontramos a saída de nossas confusões, a alegria de nossos bons momentos, a pista correta para a decisão que tomaremos.Nunca podemos deixar que cada dia pareça igual ao anterior porque todos os dias são diferentes, porque estamos em constante processo de mudança.



segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Em...corqueilumina




Como um sol de polpa escura


para levar à boca,


eis as mãos: procuram-te desde o chão,


entre os veios do sono


e da memória procuram-te:


à vertigem do ar


abrem as portas:


vai entrar o vento ou o violento


aroma de uma candeia,


e subitamente a ferida


recomeça a sangrar:


é tempo de colher: a noite


iluminou-se bago a bago: vais surgir


para beber de um trago


como um grito contra o muro.


Sou eu, desde a aurora,


eu — a terra — que te procuro.




Eugénio de Andrade, in "Obscuro Domínio

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Em...cordecaminho

Por Todos os Caminhos do Mundo




A minha poesia é assim como uma vida que vagueia pelo mundo,


por todos os caminhos do mundo,


desencontrados como os ponteiros de um relógio velho,


que ora tem um mar de espuma, calmo, como o luar num jardim nocturno,


ora um deserto que o simum veio modificar,


ora a miragem de se estar perto do oásis,


ora os pés cansados, sem forças para além.


Que ninguém me peça esse andar certo de quem sabe o rumo e a hora de o atingir,


a tranquilidade de quem tem na mão o profetizado


de que a tempestade não lhe abalará o palácio,


a doçura de quem nada tem a regatear,


o clamor dos que nasceram com o sangue a crepitar.


Na minha vida nem sempre a bússola se atrai ao mesmo norte.


Que ninguém me peça nada. Nada.


Deixai-me com o meu dia que nem sempre é dia,


com a minha noite que nem sempre é noite


como a alma quer.


Não sei caminhos de cor.



Fernando Namora, in 'Mar de Sargaços'